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Meta ganha força com avanço do assistente de IA Muse

TECNOLOGIA

A Meta, dona de plataformas como Facebook, Instagram e WhatsApp, ganhou novo impulso entre investidores após os primeiros resultados de seu assistente de inteligência artificial Muse. O produto começou a ser disponibilizado em setembro e pode representar uma nova etapa na estratégia da empresa para transformar seus investimentos bilionários em inteligência artificial em serviços utilizados diretamente pelos consumidores.

IA Muse

O movimento chamou a atenção do Bank of America (BofA), que manteve sua recomendação de compra para as ações da Meta e estabeleceu um preço-alvo de US$ 810.

A avaliação ocorre em meio à forte valorização recente dos papéis da companhia. Segundo os dados citados na análise, as ações da Meta acumulavam alta de aproximadamente 36% em um mês, enquanto o avanço do mercado no mesmo período era de cerca de 1,2%.

Muse vai além dos chatbots tradicionais

O Muse foi lançado em 8 de setembro e apresenta uma proposta diferente dos assistentes de IA tradicionais, segundo a análise do Bank of America, o sistema pode navegar por sites, organizar e-mails e executar tarefas que envolvem várias etapas, com intervenção limitada do usuário, entre os exemplos mencionados estão gerenciamento de mensagens, reservas de viagens e realização de transações.

A proposta aproxima o Muse do conceito de agente de inteligência artificial, no qual o sistema não apenas responde perguntas ou produz textos, mas também executa determinadas tarefas em nome do usuário, essa mudança pode ser importante para empresas de tecnologia porque amplia o espaço para aplicações práticas da inteligência artificial no cotidiano.

Jornalista entregou parte da rotina ao Muse

Uma experiência publicada pelo The New York Times ajuda a mostrar como esse conceito funciona na prática, o jornalista Eli Tan passou duas semanas testando o Muse e decidiu entregar ao agente uma série de tarefas do cotidiano. O experimento envolveu atividades que normalmente exigiriam acesso a diferentes serviços, sites, aplicativos e contas pessoais, em uma das situações mais impressionantes, o Muse entrou em contato com a seguradora odontológica do jornalista.

O agente forneceu o número de identificação do usuário, respondeu a uma pergunta de segurança e permaneceu na linha até conseguir encaminhá-lo para um atendente humano. O objetivo era resolver uma questão relacionada ao seguro odontológico sem que o jornalista precisasse conduzir pessoalmente toda a ligação, para Tan, a experiência mostrou como um agente de IA pode reduzir o esforço envolvido em tarefas burocráticas.

Muse também fez compras e reservas

O teste não ficou restrito ao atendimento telefônico, durante as duas semanas de utilização, o jornalista informou ter usado o Muse para executar diferentes tarefas pessoais. Entre elas estavam fazer compras de supermercado, organizar reuniões e administrar sua escala de fantasy football.

O agente também foi utilizado para realizar reservas de restaurantes e comprar ingressos de cinema, em outra experiência, o sistema chegou a criar um podcast para o jornalista. Esses exemplos ajudam a diferenciar o conceito de agente de IA dos chatbots tradicionais.

Um chatbot normalmente depende de uma conversa conduzida pelo usuário. Um agente, por outro lado, pode receber uma determinada tarefa e realizar uma sequência de ações para tentar concluí-la.

O preço da conveniência: seus dados

A experiência também revelou um dos maiores desafios desse modelo, para permitir que o Muse realizasse determinadas tarefas, o jornalista precisou fornecer acesso a informações pessoais e conectar o sistema a serviços importantes de sua vida digital.

Entre os dados disponibilizados estavam contas bancárias e e-mail, isso cria uma relação de confiança muito diferente daquela existente em uma conversa comum com um chatbot, quando uma IA apenas responde a uma pergunta, o risco está principalmente na qualidade ou na precisão da resposta.

Quando um agente recebe autorização para acessar contas, fazer compras, telefonar para empresas ou marcar compromissos, as consequências de um erro podem ser muito maiores.

A conveniência, portanto, vem acompanhada de uma questão fundamental: até que ponto o usuário está disposto a entregar autonomia a uma inteligência artificial?

Muse alcança milhões de downloads

Os primeiros números apresentados na análise do Bank of America chamaram a atenção, com base em dados da Sensor Tower, o banco informou que o Muse ultrapassou 2,5 milhões de downloads acumulados nos Estados Unidos até 19 de setembro.

O aplicativo também teria alcançado aproximadamente 557 mil usuários ativos diariamente, outro dado citado foi a comparação com o ChatGPT. Nos primeiros 12 dias após o lançamento, o Muse teria registrado aproximadamente 1,43 milhão de downloads no iOS, enquanto o ChatGPT alcançou cerca de 1,37 milhão no mesmo estágio, segundo os dados apresentados pelo BofA.

Os números indicam uma adoção inicial relevante, mas ainda não permitem concluir se o produto conseguirá manter os usuários no longo prazo.

Meta tem uma vantagem de distribuição

Um dos principais argumentos favoráveis à estratégia da Meta está na capacidade de distribuição, a empresa possui um ecossistema gigantesco de plataformas digitais, incluindo Facebook, Instagram, WhatsApp e outros serviços, de acordo com os dados citados pelo Bank of America, as plataformas da companhia alcançam aproximadamente 3,6 bilhões de usuários ativos diariamente.

Isso significa que, caso a Meta consiga integrar o Muse de maneira eficiente aos seus produtos, o assistente poderá contar com uma base potencial de distribuição muito maior do que a de um aplicativo independente.

A estratégia também permitiria que a companhia apresentasse o assistente aos usuários em ambientes digitais que eles já utilizam diariamente.

Bank of America mantém recomendação para Meta

O Bank of America manteve sua recomendação de compra para as ações da Meta e estabeleceu preço-alvo de US$ 810, a instituição considera que o lançamento do Muse pode melhorar a percepção dos investidores sobre os investimentos realizados pela Meta em infraestrutura de inteligência artificial.

A tese está relacionada à possibilidade de a empresa transformar os enormes gastos com computação e infraestrutura em produtos capazes de gerar valor econômico, é importante destacar que o preço-alvo e a recomendação são uma avaliação do Bank of America, e não uma garantia de valorização das ações.

O desafio: transformar investimento em receita

A Meta vem investindo bilhões de dólares em infraestrutura necessária para desenvolver e executar sistemas avançados de inteligência artificial, esse processo exige grandes quantidades de capacidade computacional, além de chips, data centers, energia e outros recursos, o lançamento do Muse ajuda a responder uma das questões enfrentadas pela empresa: como transformar essa infraestrutura em produtos utilizados por consumidores.

Ainda assim, downloads não representam necessariamente receita ou fidelização, para justificar investimentos dessa magnitude, a Meta precisará demonstrar que os usuários continuam utilizando o serviço, que o produto consegue gerar receita e que os custos de operação podem ser sustentados em escala.

Meta também pode vender capacidade computacional

A infraestrutura construída pela Meta cria ainda outra possibilidade, segundo estimativa citada pelo Bank of America, a empresa poderia gerar até US$ 40 bilhões por gigawatt ao alugar capacidade computacional para clientes externos, com base em transações recentes do setor.

Isso cria uma escolha estratégica, a Meta pode utilizar sua capacidade computacional principalmente para desenvolver e operar seus próprios produtos de inteligência artificial ou disponibilizar parte dessa infraestrutura para outras empresas.

O aluguel poderia gerar receita diretamente, enquanto a utilização interna poderia ajudar a desenvolver produtos como o Muse e outros serviços de IA.

O verdadeiro salto pode estar nos agentes de IA

O caso do Muse mostra que a próxima etapa da inteligência artificial pode não estar apenas em produzir respostas melhores, o avanço pode estar na capacidade de executar tarefas completas.

Agentes desse tipo podem, em determinadas situações, navegar pela internet, preencher informações, realizar ligações, fazer compras, marcar compromissos e interagir com serviços digitais em nome de uma pessoa, isso muda a relação entre usuário e tecnologia.

Em vez de perguntar à IA como fazer alguma coisa, o usuário passa a simplesmente pedir que ela faça, o teste realizado pelo jornalista do The New York Times mostra justamente essa transição: o Muse foi utilizado para lidar com tarefas que normalmente exigiriam tempo, atenção e diversas etapas manuais.

Mas a mesma autonomia que torna o sistema útil também aumenta a importância de segurança, privacidade e controle por parte do usuário.

Meta entra em uma nova fase da corrida pela IA

O desempenho inicial do Muse coloca a Meta diante de uma nova etapa na corrida pela inteligência artificial, até pouco tempo, grande parte da discussão envolvendo as gigantes de tecnologia estava concentrada nos investimentos necessários para construir modelos cada vez mais avançados.

Agora, a questão passa também pela capacidade de transformar esses modelos em produtos utilizados em larga escala.

O Muse representa uma tentativa da Meta de ocupar esse espaço com um assistente capaz de executar tarefas, e não apenas conversar com o usuário.

Os primeiros números despertaram atenção de analistas, enquanto o teste independente relatado pelo New York Times mostrou exemplos concretos de utilização.

Ainda assim, a evolução do produto dependerá de fatores como retenção de usuários, custos computacionais, privacidade, confiança e capacidade de gerar receita.

Para a Meta, portanto, o desafio não termina com o lançamento. A próxima etapa será provar que o crescimento inicial do Muse pode se transformar em uso recorrente e em retorno econômico sobre os investimentos feitos em inteligência artificial.

FAQ

O que é o Muse?

O Muse é um agente de inteligência artificial desenvolvido pela Meta para realizar tarefas em nome do usuário, indo além das respostas tradicionais de um chatbot.

O que o Muse conseguiu fazer no teste do New York Times?

O jornalista Eli Tan relatou ter usado o agente para tarefas como lidar com seguro odontológico, fazer compras, marcar compromissos, reservar restaurantes, comprar ingressos e criar um podcast.

O Muse pode acessar dados pessoais?

Sim. Para executar determinadas tarefas, o usuário pode autorizar o agente a acessar serviços e informações pessoais. No teste relatado pelo New York Times, foram conectados dados como e-mail e contas bancárias.

Quantos downloads o Muse alcançou?

Segundo dados da Sensor Tower citados pelo Bank of America, o Muse ultrapassou 2,5 milhões de downloads acumulados nos Estados Unidos até 19 de setembro.

O Bank of America recomenda comprar ações da Meta?

O Bank of America manteve uma recomendação de compra para as ações da Meta e estabeleceu preço-alvo de US$ 810. Essa é uma avaliação da instituição financeira, não uma garantia de desempenho futuro.

Qual é a diferença entre um chatbot e um agente de IA?

Um chatbot normalmente responde às solicitações do usuário. Um agente de IA pode receber uma tarefa e executar uma sequência de ações para tentar concluí-la, inclusive interagindo com sites e outros serviços.

Qual é o principal desafio dos agentes de IA?

Além da capacidade técnica, os agentes precisam lidar com questões como segurança, privacidade, autorização para acessar dados, confiabilidade e controle humano sobre ações realizadas automaticamente.

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