Juarez da TekPix

Juarez da TekPix morre em São Paulo; relembre sua história

NEGÓCIOS

Juarez Pontes, conhecido em todo o Brasil como Juarez da TekPix, morreu na quinta-feira (8), em São Paulo. O vendedor e apresentador ganhou notoriedade nos anos 2000 com comerciais de televisão que transformaram a câmera digital TekPix em um dos produtos mais lembrados da publicidade brasileira daquela época. A informação sobre a morte foi divulgada inicialmente pelo g1, com base em informações compartilhadas por uma familiar.

Juarez da TekPix

Em entrevista ao Metrópoles, sua prima, Eloana Pontes, afirmou que a causa da morte teria sido uma miocardiopatia isquêmica, conforme o documento que a família recebeu do Instituto Médico Legal (IML). A condição está relacionada à redução do fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco, geralmente em decorrência de problemas nas artérias coronárias. Até o momento das publicações citadas, não havia confirmação independente adicional sobre a causa.

Juarez foi encontrado morto na casa onde morava, em Santo Amaro, na Zona Sul da capital paulista. Segundo o relato da prima, amigos estranharam sua ausência por três dias e decidiram procurá-lo. O apresentador deixa um filho.

“Vamo falar de coisa boa?”: o bordão que marcou uma geração

A trajetória de Juarez ficou especialmente ligada à TekPix, câmera digital comercializada pela Tecnomania e anunciada em comerciais de televisão que apostavam em demonstrações do produto, ofertas parceladas e uma linguagem direta para convencer o consumidor.

“Vamo falar de coisa boa? Vamos falar de TekPix” tornou-se sua frase mais conhecida. O bordão ultrapassou o objetivo comercial e passou a fazer parte da cultura popular brasileira, sendo lembrado em conversas, vídeos e referências humorísticas à publicidade dos anos 2000.

A estratégia de vendas apresentava a TekPix como um equipamento multifuncional. Dependendo do modelo, os anúncios destacavam recursos de câmera digital, filmadora, reprodução de arquivos de áudio e vídeo e armazenamento de dados. A promessa era reunir diferentes funcionalidades em um aparelho acessível ao consumidor.

A força da campanha estava também na figura de Juarez. Em vez de apenas enumerar características técnicas, ele transformava a apresentação em um espetáculo de vendas, com entusiasmo, repetição de argumentos e chamadas para que o público ligasse imediatamente para comprar.

De atendente de telemarketing a garoto-propaganda

Em uma entrevista ao programa The Noite, de Danilo Gentili, Juarez contou que sua trajetória começou no atendimento telefônico de uma empresa do grupo responsável pela Tecnomania.

Segundo ele, seu comportamento expansivo chamou a atenção em um ambiente no qual a maioria dos funcionários trabalhava sentada. Juarez relatou que chegou a utilizar uma extensão no headset para circular pelo salão enquanto conversava com clientes e registrava pedidos.

O vendedor atribuiu seu desempenho à concentração e à capacidade de transmitir confiança. Para ele, vender exigia entender as necessidades do consumidor, destacar os benefícios do produto e, antes de tudo, convencer o cliente de que o próprio vendedor era confiável.

Foi esse desempenho que, segundo seu relato, levou um dos dirigentes da empresa a convidá-lo para apresentar um produto na televisão. Juarez adaptou o discurso que utilizava nas vendas por telefone para os comerciais, condensando os argumentos em uma apresentação curta e persuasiva.

Ele também afirmou que participava da elaboração dos textos das campanhas, contribuindo para construir a abordagem comercial que se tornaria sua marca registrada.

Por que quase ninguém via uma TekPix?

Uma das perguntas mais recorrentes sobre o produto foi abordada na própria entrevista ao The Noite: se a TekPix vendia tanto, por que era tão difícil encontrar alguém usando uma?

Juarez respondeu que o público da câmera estava concentrado, principalmente, fora dos grandes centros urbanos. De acordo com sua explicação, consumidores do interior do país buscavam uma alternativa para registrar aniversários, formaturas, viagens e momentos familiares, enquanto outras marcas já tinham maior presença nas vitrines dos grandes centros comerciais.

Na entrevista, ele afirmou que as vendas chegaram a aproximadamente 1.300 ou 1.400 unidades por dia em determinados períodos. Esse número corresponde ao relato do próprio vendedor, não a um dado independente apresentado durante a conversa.

A explicação ajuda a compreender a estratégia de mercado da empresa, mas também revela uma característica importante da publicidade: um produto pode alcançar grande notoriedade por meio de campanhas televisivas mesmo sem se tornar um objeto comum nos círculos de consumo de todos os públicos.

O fim da TekPix e a mudança no mercado

A TekPix deixou de ser comercializada em 2014, segundo o relato de Juarez na entrevista. Ao falar sobre o fim do produto, ele apontou a popularização dos celulares com câmeras como uma mudança decisiva para o mercado.

O avanço dos smartphones alterou a relação dos consumidores com fotografia, vídeo e armazenamento digital. Atividades que antes exigiam equipamentos separados passaram a ser realizadas em um único aparelho, sempre à mão.

A transformação ajuda a explicar por que a força de uma campanha publicitária não garante a permanência de um produto. A TekPix construiu reconhecimento nacional, mas o mercado mudou e tornou menos atraente a proposta de comprar uma câmera digital dedicada para tarefas que os celulares passaram a executar com crescente qualidade e praticidade.

A história também oferece uma reflexão sobre vendas e empreendedorismo: conhecer o público e comunicar bem uma oferta pode impulsionar um negócio, mas a capacidade de acompanhar mudanças tecnológicas é fundamental para sua continuidade.

Juarez continuou ligado às vendas

Mesmo depois do encerramento da comercialização da TekPix, Juarez permaneceu associado ao personagem que construiu na televisão. Na entrevista a Danilo Gentili, ele afirmou que ainda era reconhecido pelo apelido e que havia trabalhado em diferentes campanhas ao longo de aproximadamente duas décadas de carreira.

O apresentador também falou sobre sua atuação em outros segmentos, incluindo produtos de suplementação e itens de consumo. Segundo sua prima, ele era trabalhador, criativo e animado. Ela contou ainda que, nos últimos meses, Juarez vinha realizando trabalhos pontuais, sem manter um contrato fixo.

Sua trajetória demonstra como a publicidade pode transformar um profissional de vendas em uma personalidade reconhecida nacionalmente. Juarez não ficou conhecido apenas pelo equipamento que anunciava, mas pela maneira como o apresentava.

Uma lembrança da televisão brasileira

A morte de Juarez Pontes encerra a trajetória de um profissional cuja imagem ficou associada a uma época específica da televisão comercial brasileira. Seus anúncios combinavam demonstrações de produtos, ofertas parceladas e um discurso que procurava converter a atenção do telespectador em uma ligação de compra.

A TekPix saiu do mercado, os celulares assumiram boa parte de suas funções e a publicidade migrou progressivamente para plataformas digitais. O bordão, entretanto, permaneceu na memória de quem acompanhou aquela fase da televisão.

Mais do que uma lembrança bem-humorada, a história de Juarez ajuda a observar como comunicação, personalidade e estratégia comercial podem construir marcas duradouras — mesmo quando o produto que lhes deu origem deixa de existir.

FAQ — Perguntas frequentes

Quem era Juarez da TekPix?

Juarez Pontes era um vendedor e apresentador brasileiro que ficou conhecido pelos comerciais da câmera digital TekPix na televisão, especialmente nos anos 2000.

De que morreu Juarez da TekPix?

Segundo sua prima, Eloana Pontes, a causa teria sido uma miocardiopatia isquêmica, conforme informação que ela disse constar no documento recebido pela família do IML. A informação deve ser atribuída à familiar.

Quando Juarez da TekPix morreu?

Ele morreu na quinta-feira, 8 de outubro de 2026, em São Paulo.

Qual era o bordão de Juarez da TekPix?

Sua frase mais conhecida era: “Vamo falar de coisa boa? Vamos falar de TekPix”.

Por que a TekPix deixou de ser vendida?

Em entrevista ao programa The Noite, Juarez apontou a popularização dos celulares com câmeras como um dos fatores que reduziram a necessidade de comprar uma câmera digital separada.

Juarez da TekPix tinha filhos?

Sim. Segundo as reportagens publicadas sobre sua morte, ele deixa um filho.

O que Juarez fazia depois do fim da TekPix?

Ele continuou ligado à televisão e ao mercado de vendas, participando de campanhas de outros produtos. Segundo sua prima, nos últimos meses realizava trabalhos pontuais.

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