Bolsa brasileira registra forte alta após resultado do primeiro turno, enquanto dólar recua e juros futuros caem, o Ibovespa iniciou a segunda-feira (5) em forte alta após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. O principal índice da Bolsa brasileira chegou aos 209,6 mil pontos, renovando sua máxima histórica e superando pela primeira vez a marca de 200 mil pontos.

O movimento ocorreu após Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pela Presidência. Os dois candidatos avançaram para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Além da valorização das ações, o mercado registrou queda do dólar e dos juros futuros. O dólar comercial chegou a ser negociado abaixo de R$ 5.
Índice
Mercado reage ao resultado das eleições
A reação positiva dos ativos brasileiros foi atribuída por analistas à mudança nas expectativas dos investidores em relação ao cenário político e econômico do país.
Segundo Rafael Pastorello, portfólio manager do Banco Sofisa, o desempenho dos ativos domésticos refletiu uma reavaliação das expectativas dos investidores após o primeiro turno.
O especialista afirmou que a valorização do Ibovespa e a queda do dólar indicam, na avaliação do mercado, uma redução das incertezas de curto prazo e maior previsibilidade em relação ao cenário econômico e à condução da política econômica.
A análise, porém, não significa que o comportamento da Bolsa determine o resultado eleitoral. O mercado financeiro reage a expectativas sobre políticas econômicas, juros, inflação, contas públicas e ambiente externo.
Ações brasileiras sobem em bloco
Entre as empresas com forte valorização nesta segunda-feira estão Petrobras, grandes bancos e a B3, as ações preferenciais da Petrobras (PETR4) chegaram a subir mais de 8%, enquanto os papéis ordinários (PETR3) também renovaram máximas durante a sessão.
A B3 registrava uma das maiores altas entre as empresas negociadas no mercado brasileiro, a Vale (VALE3), por outro lado, apresentou comportamento diferente e chegou a operar em queda, o movimento mostra que a reação não foi uniforme entre todas as empresas e setores.
Dólar recua e juros futuros despencam
O mercado de câmbio também reagiu ao resultado eleitoral, o dólar comercial chegou a R$ 4,96, enquanto a terceira parcial da Ptax divulgada pelo Banco Central indicava compra a R$ 4,9773 e venda a R$ 4,9779.
A valorização do real foi relacionada por analistas ao aumento do interesse por ativos brasileiros e à redução dos prêmios de risco.
A trajetória da moeda, entretanto, continua sujeita a fatores internos e externos, como decisões de política monetária nos Estados Unidos, conflitos geopolíticos, inflação e fluxo internacional de capitais.
Mercado passa a avaliar possíveis mudanças na política econômica
O resultado eleitoral também alterou as expectativas em relação à política econômica que poderá prevalecer a partir de 2027.
Analistas citados pela imprensa apontaram que uma eventual condução mais voltada ao controle fiscal, redução do tamanho do Estado e maior participação do setor privado poderia favorecer ativos brasileiros.
Durante a campanha, Flávio Bolsonaro apresentou propostas de redução da estrutura administrativa federal, incluindo corte de ministérios e cargos comissionados, além de uma reforma administrativa e medidas relacionadas às contas públicas.
A campanha também apresentou a promessa de um forte corte de despesas, descrito como um “tesouraço”, essas propostas passaram a ser incorporadas às avaliações de investidores sobre um eventual governo do candidato do PL.
J.P. Morgan eleva recomendação para o Brasil
O banco J.P. Morgan também revisou sua avaliação sobre o mercado brasileiro após o primeiro turno, em agosto, a instituição havia adotado uma posição neutra em relação ao Brasil diante das incertezas provocadas pelas eleições.
Após o resultado do primeiro turno, o banco passou a recomendar compra de ativos brasileiros e projetou potencial de valorização para o mercado acionário, a instituição também avaliou que uma valorização do real poderia contribuir para reduzir pressões inflacionárias e abrir espaço para cortes mais rápidos da taxa Selic.
Ações brasileiras também sobem em Nova York
A reação positiva não ficou restrita à Bolsa brasileira, os ativos brasileiros negociados em Nova York também registraram forte valorização após a divulgação do resultado eleitoral, o EWZ, fundo negociado nos Estados Unidos que acompanha ações brasileiras e é utilizado como referência para o desempenho do mercado do país, chegou a subir quase 10% no mercado futuro na noite de domingo (4).
Analistas da Eleven Financial Research avaliaram que o resultado poderia provocar uma reação positiva no Ibovespa, especialmente entre empresas menores e companhias mais endividadas, que tendem a ser mais sensíveis à queda dos juros.
Eleição ainda terá segundo turno
Apesar da reação dos mercados, a disputa presidencial ainda não está definida, flávio Bolsonaro e Lula disputarão o segundo turno em 25 de outubro. O resultado da primeira etapa alterou as expectativas dos investidores, mas novas pesquisas, declarações dos candidatos, propostas econômicas e acontecimentos políticos poderão influenciar os mercados até a votação.
Para os investidores, além do resultado eleitoral, questões como política fiscal, inflação, juros, câmbio e cenário internacional continuarão sendo determinantes para o comportamento dos ativos brasileiros.
FAQ
Por que o Ibovespa subiu após o primeiro turno?
Analistas atribuíram a forte alta à reavaliação das expectativas dos investidores após o resultado eleitoral, especialmente em relação ao cenário fiscal e à futura condução da política econômica.
Quanto o Ibovespa atingiu?
O índice chegou aos 209,6 mil pontos durante a sessão desta segunda-feira (5), renovando sua máxima histórica.
O dólar caiu após o resultado das eleições?
Sim. O dólar comercial chegou a ser negociado abaixo de R$ 5 durante a sessão.
Quais ações tiveram forte alta?
Petrobras, grandes bancos e B3 estiveram entre os destaques positivos durante a sessão.
A alta da Bolsa significa que o mercado apoia um candidato?
Não necessariamente. A valorização dos ativos reflete expectativas dos investidores sobre fatores como política fiscal, juros, inflação, câmbio e ambiente econômico. A interpretação política do resultado deve ser separada da reação financeira do mercado.
Quem disputará o segundo turno?
Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) disputarão o segundo turno da eleição presidencial em 25 de outubro.
