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MP investiga acidente após jovem perder movimentos em montanha-russa do Hopi Hari

EM ALTA SAZONAL

Atração tem histórico de relatos de lesões; Ministério Público de São Paulo abriu investigação e pediu perícia na montanha-russa do parque, o Ministério Público de São Paulo investiga o caso de Júlia Bossoni, jovem que perdeu parte dos movimentos do corpo após passar pela Montezum, uma das principais atrações do Hopi Hari, em Vinhedo, no interior de São Paulo. A família entrou na Justiça para pedir uma perícia que esclareça as circunstâncias do episódio, enquanto a investigação conduzida pelo Ministério Público ainda está em andamento.

Júlia e João Pedro Bossoni viajaram de Londrina, no Paraná, para visitar o parque. O casal utilizou a Montezum duas vezes no mesmo dia. Na primeira passagem, segundo João Pedro, não houve problema. Cerca de cinco horas depois, por volta das 16h30, Júlia voltou à atração. Câmeras registraram a jovem consciente durante a subida, mas não há imagens do restante do percurso. Dois minutos depois, o carrinho retornou à plataforma com Júlia desacordada.

Segundo o relato do acompanhante, Júlia estava inconsciente e convulsionando quando o carrinho chegou à plataforma. Os funcionários do parque se aproximaram e, seis minutos depois, colocaram a jovem em uma maca para retirá-la do local. Ela foi encaminhada à Santa Casa de Vinhedo, onde chegou em estado grave e foi levada diretamente para a UTI.

Os primeiros exames apontaram hemorragia intracraniana e grande edema cerebral. Diante da gravidade do quadro, Júlia precisou passar por uma craniectomia descompressiva, procedimento que consiste na retirada de parte da calota craniana para permitir a expansão do cérebro causada pelo inchaço. Ela permaneceu 57 dias internada em Vinhedo.

O diagnóstico foi de traumatismo cranioencefálico. Segundo o laudo médico citado na reportagem, o trauma teria sido causado por um mecanismo de contragolpe durante o percurso na montanha-russa. O especialista ouvido pelo Fantástico explicou que movimentos bruscos de aceleração, desaceleração e rotação do crânio podem provocar ruptura de vasos sanguíneos e resultar em hemorragia intracraniana e edema cerebral.

MP abriu investigação e pediu perícia

O Ministério Público de São Paulo abriu investigação para apurar o caso e pediu uma perícia policial na montanha-russa. A apuração ainda não foi concluída e deverá avaliar as condições da atração e as circunstâncias que envolveram o acidente.

A família de Júlia também recorreu à Justiça para tentar esclarecer o que aconteceu durante o percurso. Cinco meses depois do acidente, a jovem já havia passado por sete cirurgias e continuava em processo de reabilitação. A família informou que ela perdeu completamente os movimentos do lado esquerdo do corpo e apresenta dificuldades de fala e memória.

O caso, portanto, ainda não permite estabelecer a causa definitiva do acidente ou atribuir responsabilidade à atração. Essas são justamente algumas das questões que a perícia e a investigação deverão esclarecer.

Outros relatos de lesões na Montezum

O caso de Júlia não é o único relato de lesão associado à Montezum. Em 2018, a professora Nathalia Assenjo Motta afirmou ter sofrido uma lesão cervical durante o percurso. Segundo seu relato, sentiu um movimento semelhante a um “chicote” no pescoço, seguido por um estalo, e precisou colocar 12 pinos e duas hastes na região cervical.

Montezum

Nathalia recuperou os movimentos do corpo três dias depois, mas ficou com perda de mobilidade no pescoço e relatou dores e necessidade de tratamentos posteriores. O Hopi Hari pagou indenização por danos materiais no caso.

Outro caso citado é o de Márcio, motoboy que utilizou a Montezum em 2014 e ficou tetraplégico após romper duas vértebras. Ele morreu em 2023 em decorrência de complicações de uma infecção urinária. Segundo o advogado citado na reportagem, o laudo relacionou o problema neurológico que resultou na tetraplegia ao chamado movimento de chicote.

Além dos casos mais graves, uma plataforma de avaliação de consumidores reunia ao menos 40 registros nos dois anos anteriores à reportagem de pessoas que alegavam ter sofrido lesões depois de utilizar a Montezum. Os relatos mencionavam dores no pescoço, problemas nos joelhos e fraturas, entre outras ocorrências.

O número, entretanto, precisa ser analisado dentro do universo de usuários da atração e não equivale, por si só, à confirmação de que todas as lesões tenham sido provocadas pela montanha-russa.

O que diz o Hopi Hari

Procurado pelo Fantástico, o Hopi Hari afirmou que a Montezum possui certificação internacional emitida pelo grupo TÜV Nord e passa por inspeções anuais. O parque também declarou seguir a norma nacional ABNT NBR 15926:2023, específica para equipamentos de parques de diversão, além de manter protocolos de segurança e treinamento de funcionários.

A empresa afirma ainda que os visitantes recebem informações sobre as características da atração e suas restrições por meio de placas, avisos sonoros durante a fila e orientações dos operadores antes do embarque. Entre as contraindicações estão pessoas com problemas na coluna, gestantes e visitantes com determinadas condições clínicas.

Sobre o caso de Júlia, o parque afirmou que prestou atendimento seguindo seus protocolos, acompanhou a internação, custeou despesas durante a permanência da jovem em Vinhedo e disponibilizou um seguro à família.

O Hopi Hari também destacou que os casos de Nathalia e Márcio ocorreram antes de 2019, durante a administração anterior, e afirmou que a atual gestão mantém foco em procedimentos de segurança.

Parque cita parecer do Ministério Público

Um dos pontos mais relevantes apresentados pelo parque é um parecer do Ministério Público de São Paulo, emitido em agosto de 2026, que, segundo o Hopi Hari, não identificou risco coletivo, defeito de projeto ou negligência na atração. O parecer teria sido produzido após uma mulher ser encaminhada à enfermaria com dores no pescoço em julho.

Segundo a manifestação reproduzida pelo parque, a Montezum é submetida a inspeções periódicas envolvendo estrutura de madeira, trilhos, fixações, travas, cintos, sensores, sistemas elétricos e freios, com supervisão de equipe de engenharia. O documento também menciona sinalização sobre a classificação da atração como radical e as respectivas restrições de utilização.

O parque afirma ainda que possui manutenção preventiva diária, semanal, mensal e periódica, envolvendo profissionais das áreas mecânica, elétrica e de carpintaria. Segundo a empresa, os trens passam por manutenção anual após determinado período de operação ou conforme o cronograma técnico.

Há, portanto, duas informações que precisam ser colocadas lado a lado: de um lado, existe uma investigação específica sobre o acidente de Júlia, com perícia ainda pendente; de outro, o parque afirma possuir certificações, inspeções e manutenção regular e cita uma manifestação do próprio Ministério Público que não teria identificado defeito sistêmico ou risco coletivo.

Debate sobre as reclamações

O número de reclamações também é objeto de divergência de interpretação. A reportagem identificou cerca de 40 registros em uma plataforma de consumidores nos dois anos anteriores. O Hopi Hari, por sua vez, afirma que esses registros devem ser comparados ao número total de usuários da atração.

Na manifestação enviada à reportagem, o parque afirmou que aproximadamente 1,2 milhão de pessoas utilizaram a Montezum no período correspondente aos registros e classificou o número de reclamações como estatisticamente irrisório.

O Hopi Hari também citou manifestação do Ministério Público segundo a qual as queixas de desconforto muscular seriam episódios isolados e compatíveis com os impactos físicos esperados em uma atração radical, sem indicação de padrão de defeito sistêmico ou falha na prestação do serviço.

Esses dados, contudo, não encerram a investigação sobre o caso de Júlia. Uma análise estatística do volume de reclamações é diferente de uma perícia destinada a determinar o mecanismo específico que provocou uma lesão. São questões distintas e podem coexistir no mesmo processo de apuração.

Montezum deve passar por reforma

O Hopi Hari informou que já havia anunciado uma reforma da Montezum para o fim de 2026. O parque também afirmou que mantém uma estrutura específica de profissionais dedicada à atração, incluindo técnicos de mecânica e elétrica e uma equipe de carpintaria.

A Montezum foi inaugurada em 1999 e é apresentada como a maior montanha-russa de madeira da América Latina. A atração tem aproximadamente 42 metros de altura, cerca de um quilômetro de extensão e pode atingir até 103 km/h.

Enquanto a investigação prossegue, Júlia continua o processo de recuperação. Segundo a família, a reabilitação envolve fisioterapia, terapia ocupacional e acompanhamento fonoaudiológico. O objetivo relatado pelos familiares é recuperar o máximo possível de autonomia e qualidade de vida.

O caso deixa uma questão que somente a investigação técnica poderá responder: o que aconteceu especificamente durante aquele percurso e por que uma jovem que havia utilizado a mesma atração horas antes retornou da segunda passagem com um grave traumatismo cranioencefálico?

Até que a perícia seja concluída, essa resposta permanece em aberto.

FAQ

1. O que aconteceu com Júlia Bossoni na Montezum?
Júlia Bossoni perdeu parte dos movimentos do corpo após utilizar a Montezum, no Hopi Hari. Ela foi encontrada desacordada e convulsionando quando o carrinho retornou à plataforma.

2. O Ministério Público está investigando o caso?
Sim. O Ministério Público de São Paulo abriu uma investigação e solicitou uma perícia na montanha-russa para esclarecer as circunstâncias do acidente.

3. Qual foi o diagnóstico de Júlia?
Segundo as informações apresentadas na reportagem, Júlia sofreu um traumatismo cranioencefálico, acompanhado de hemorragia intracraniana e edema cerebral.

4. A Montezum já teve outros relatos de lesões?
Sim. A reportagem menciona relatos envolvendo Nathalia Assenjo Motta, em 2018, e Márcio, que utilizou a atração em 2014. Também foram identificados cerca de 40 registros de consumidores que alegaram ter sofrido lesões após utilizar a atração no período analisado.

5. O Hopi Hari afirma que a Montezum é segura?
O parque afirma que a atração possui certificação internacional, passa por inspeções e manutenção periódicas e segue a norma ABNT NBR 15926:2023, específica para equipamentos de parques de diversão.

6. A investigação já concluiu que a Montezum causou a lesão de Júlia?
Não. A investigação ainda está em andamento. A perícia deverá ajudar a esclarecer o que ocorreu durante o percurso e se houve alguma falha ou outra circunstância relacionada ao acidente.

7. A Montezum será reformada?
Segundo o Hopi Hari, o parque já havia anunciado uma reforma da atração para o fim de 2026.

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