Campanha nacional reúne mais de 160 instituições financeiras e oferece condições especiais para negociar débitos de cartão de crédito, cheque especial e empréstimos. Consumidores devem ficar atentos a golpes e avaliar as parcelas antes de fechar acordos, o Mutirão Nacional de Negociação de Dívidas e Orientação Financeira mobiliza mais de 160 instituições financeiras e entidades parceiras entre 1º e 30 de novembro de 2026, com o objetivo de facilitar a renegociação de dívidas bancárias atrasadas.
A iniciativa, organizada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), conta com a participação do Banco Central, da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e de órgãos de defesa do consumidor.

A campanha contempla débitos de cartão de crédito, cheque especial, empréstimos pessoais, crédito consignado e outras modalidades de crédito sem garantia, desde que atendam às condições de participação. A proposta é permitir que consumidores negociem prazos, descontos e formas de pagamento diretamente com os credores.
A iniciativa chega em um momento importante para famílias que enfrentam dificuldades para equilibrar o orçamento. Dívidas que acumulam juros e encargos podem comprometer parte significativa da renda, reduzindo a capacidade de pagar despesas essenciais e realizar novas compras.
Índice
Quais dívidas podem ser negociadas no mutirão?
O programa é voltado a consumidores com dívidas bancárias em atraso que não tenham bens dados em garantia e que não estejam prescritas, observadas as regras aplicáveis e a participação da instituição credora.
Entre as modalidades contempladas estão:
- Cartão de crédito: faturas atrasadas e débitos relacionados ao uso do cartão.
- Cheque especial: saldo devedor decorrente da utilização do limite da conta bancária.
- Empréstimo pessoal: operações de crédito sem garantia vinculada.
- Crédito consignado: contratos elegíveis de acordo com as condições do programa.
- Outras linhas de crédito: dívidas bancárias e financeiras que atendam aos critérios estabelecidos.
Por outro lado, financiamentos de veículos e imóveis que tenham bens vinculados como garantia não fazem parte da campanha. Dívidas prescritas também estão fora do escopo informado para o mutirão.
Antes de iniciar uma negociação, o consumidor deve confirmar se o contrato se enquadra nas regras e se o banco ou a financeira participa da iniciativa.
Como negociar a dívida com o banco?
Os consumidores podem procurar diretamente os canais oficiais das instituições financeiras participantes ou utilizar o portal Consumidor.gov.br.
O primeiro caminho é acessar o aplicativo, o site ou o telefone oficial do banco responsável pela dívida. Durante o atendimento, o consumidor deve informar que deseja participar do Mutirão Nacional de Negociação de Dívidas e solicitar as condições disponíveis para seu contrato.
Outra alternativa é o Consumidor.gov.br, plataforma pública e gratuita de resolução de conflitos entre consumidores e empresas. Para registrar uma reclamação no sistema, é necessário utilizar uma conta Gov.br de nível prata ou ouro.
Segundo as informações divulgadas para a campanha, a empresa tem até dez dias para responder a uma reclamação registrada na plataforma.
Quem encontrar dificuldades para negociar ou estiver enfrentando uma situação grave de endividamento também pode procurar o Procon de seu município ou estado.
Quais descontos e condições de pagamento podem ser oferecidos?
As condições variam de acordo com a instituição financeira, o tipo de dívida, o tempo de atraso e a situação do contrato.
Entre as possibilidades de negociação estão descontos sobre encargos, redução de juros, ampliação do prazo de pagamento, parcelamento do saldo devedor e propostas de quitação à vista.
Em alguns casos, o banco pode apresentar uma alternativa de crédito com condições diferentes das originalmente contratadas. Entretanto, o consumidor precisa avaliar o custo total da operação, e não apenas o valor da nova parcela.
Uma prestação menor pode parecer vantajosa, mas um prazo muito longo pode aumentar o montante pago ao final do contrato. Por isso, é importante solicitar todas as condições por escrito antes de aceitar a proposta.
A participação no mutirão não garante um percentual específico de desconto. Cada instituição define as ofertas de acordo com suas políticas de renegociação e as características da dívida.
Mutirão dos bancos é diferente do Feirão Limpa Nome da Serasa
Embora tenham objetivos semelhantes, o Mutirão Nacional de Negociação de Dívidas e o Feirão Serasa Limpa Nome são iniciativas distintas.
O mutirão de novembro é direcionado às dívidas bancárias e financeiras elegíveis, negociadas com as instituições participantes.
Já a plataforma Serasa Limpa Nome permite consultar ofertas de negociação de diferentes empresas, incluindo credores de setores como comércio, telefonia e serviços, conforme os débitos disponíveis para cada consumidor.
De acordo com as informações fornecidas sobre a edição de 2026, o Feirão Serasa Limpa Nome ocorreu entre 23 de fevereiro e 1º de abril. Mesmo após o encerramento do evento, a plataforma permanente continuou disponível para consultas e negociações.
Portanto, quem possui dívidas com lojas ou empresas de serviços pode verificar as ofertas disponíveis na Serasa, enquanto os débitos bancários elegíveis podem ser negociados durante o mutirão de novembro.
Mais de 38 milhões de contratos já foram renegociados desde 2019
O Mutirão Nacional de Negociação de Dívidas e Orientação Financeira é realizado desde 2019 e, segundo os dados divulgados para a campanha de novembro de 2026, já acumulou mais de 38,3 milhões de contratos renegociados.
Na rodada de março de 2026, as instituições participantes repactuaram 2,7 milhões de contratos em atraso. O número informado foi superior ao registrado em março de 2025, quando foram contabilizados 1,4 milhão de acordos.
Os resultados demonstram a dimensão da procura por alternativas para reorganizar dívidas bancárias. Entretanto, o número de contratos renegociados não significa, necessariamente, que todos os consumidores conseguiram quitar seus débitos ou recuperar o equilíbrio financeiro.
A renegociação pode ser um primeiro passo para reorganizar o orçamento, mas seu resultado depende da capacidade de pagamento do consumidor e do cumprimento das novas condições estabelecidas.
Como evitar golpes durante o mutirão de renegociação?
A realização de campanhas de negociação também exige atenção redobrada com fraudes. Criminosos podem se aproveitar da expectativa de descontos para enviar mensagens falsas, apresentar boletos adulterados ou cobrar taxas indevidas.
A Febraban alerta que não entra em contato com pessoas físicas ou jurídicas por WhatsApp, SMS, telefone, e-mail ou redes sociais para solicitar procedimentos de segurança ou realizar operações financeiras em seu nome.
Para reduzir os riscos, siga algumas recomendações:
- Não pague taxas antecipadas: desconfie de cobranças para liberar descontos ou aprovar acordos.
- Utilize canais oficiais: procure o banco pelo aplicativo, site ou telefone divulgado pela própria instituição.
- Confira o beneficiário: antes de pagar um boleto ou fazer um Pix, verifique se os dados correspondem ao credor correto.
- Não compartilhe senhas: bancos não precisam da senha do cliente para oferecer uma proposta de renegociação por mensagem.
- Desconfie de ofertas urgentes: promessas de descontos extraordinários condicionadas a pagamentos imediatos podem indicar fraude.
- Guarde os comprovantes: mantenha o contrato, o boleto, o comprovante de pagamento e a confirmação do acordo.
Se receber uma mensagem suspeita, interrompa o contato e procure a instituição financeira por um canal oficial. Não faça transferências nem forneça informações pessoais antes de confirmar a autenticidade da proposta.
O que avaliar antes de aceitar uma renegociação?
Antes de fechar um acordo, o consumidor deve levantar o valor atualizado de cada dívida e calcular quanto pode pagar mensalmente sem comprometer despesas essenciais, como alimentação, moradia, energia, água e transporte.
Também é importante verificar o valor total da negociação, a quantidade de parcelas, a incidência de juros, a data do primeiro vencimento e as consequências de um eventual atraso.
Uma proposta só é sustentável quando cabe no orçamento real. Aceitar parcelas acima da capacidade de pagamento pode levar a uma nova inadimplência e agravar o problema financeiro.
Quem não consegue pagar as dívidas sem comprometer o mínimo necessário para viver deve buscar orientação no Procon sobre os mecanismos previstos na Lei do Superendividamento. Nesses casos, simplesmente contratar uma nova dívida para quitar a anterior pode não resolver o problema.
O Banco Central também disponibiliza o Registrato, serviço que permite consultar informações sobre empréstimos e financiamentos registrados em nome do consumidor. A ferramenta pode ajudar a identificar as operações de crédito antes de iniciar as negociações.
Perguntas frequentes sobre o mutirão dos bancos
Quando acontece o mutirão de renegociação em 2026?
A campanha está prevista para ocorrer de 1º a 30 de novembro de 2026, segundo as informações divulgadas pela Febraban e reproduzidas nas fontes fornecidas.
Posso renegociar a dívida do cartão de crédito?
Sim. As dívidas de cartão de crédito em atraso estão entre as modalidades contempladas, desde que atendam às regras do programa e a instituição participe da iniciativa.
O cheque especial também entra no mutirão?
Sim. O saldo devedor do cheque especial pode ser negociado conforme as condições oferecidas pelo banco responsável.
Financiamentos de carros e imóveis participam?
Os financiamentos que possuem veículos ou imóveis vinculados como garantia estão fora do escopo informado para a campanha.
É necessário pagar para participar do mutirão?
Não há cobrança de taxa para participar da campanha por meio dos canais oficiais. Desconfie de pessoas que exigem depósitos antecipados para liberar descontos ou formalizar acordos.
O banco é obrigado a conceder desconto?
Não. As condições dependem da análise e das políticas de cada instituição financeira. O mutirão facilita a negociação, mas não garante um percentual específico de desconto.
Onde buscar ajuda se eu não conseguir pagar minhas dívidas?
O consumidor pode procurar o Procon de sua região e solicitar orientação sobre renegociação e superendividamento. Também pode utilizar o Consumidor.gov.br para registrar reclamações contra empresas participantes da plataforma.
